Atrás de uma porta fechada

*Na escuridão de sua cela, já não vive!**O QUE É VIDA?*

Archive for março \16\UTC 2007

Falaz Amor

Posted by Julian Elli em 2007/03/16

Tudo começa com a morte. Ela, que vem, que leva, é a senhora das ações e a mãe do futuro!

Conheci esta mãe ao te amar intensamente. Oh, e quão patético fui eu. Quanto mais nobre e puro for este tal amor, mas refinará um ódio eversor, mais brilhante que os olhos lacrimejados daquele que está por morrer!

Digressionei-me do fado… Um reles puto a despencar na trama ardilosa do amor falaz. Meu futuro discipa-se tal qual a tênue neblina e este corpo decumbente, quebra frágil feito folha seca.

Esta rosa fôra plantada sob único sentido: Ser lançada sobre teu esquife. E nem no ato final, ei de tocar-lhe!

Neste vasto oceano de bilhões de cadáveres ôcos, como pude eu…
Como pudeste tu, ter sabor mais pungente, ser mais fascinate do que os outros nada?

Aqui, se tivesses, perto – dentro – salvarias o mundo, todo ele.
Conceda-me um rumo plácido, para um único acerto.

Rosa Morrendo

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Chama do Prazer

Posted by Julian Elli em 2007/03/16

A dor de tão presente e fiel, transfigurou-se, desfarçando em prazer.

Nesta segunda-feira dia 12 de março, uma vontade seduziu-me. Tornar a dor mais pulsante – viva! Peguei um garfo, daqueles de churrasco, e esquentei seus 2 dentes na chama do fogão. A covardia era dominante, mas gritava a fome pelo novo prazer. Ouvi o som da pele queimando e fez-se pequenos buracos. Quase hesitei, mas fui forte, repeti o feito por mais cinco vezes e me admirava pela coragem encontrada. Abriu-se uma janela para o terror além…!

Eu meu odeio sobre todas as maneiras e, se é para viver em sofrimento, então verei até onde esta carcaça maldita agüenta!

Quando cicatrizar, tentarei lesões maiores.

*Não sei o que são felicidade e amor!

fogo.jpg

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Versos desencontrados

Posted by Julian Elli em 2007/03/14

António Tomaz Bôtto

Versos desencontrados

Em nada ou em ninguém
Eu deveria acreditar!
Nem no amor, nem na vida. – As ilusões,
Mesmo até quando vêm disfarçadas
E já conhecem o cliente, hesitam,
E chegam a partir envergonhadas…
As ilusões –
Também têm os seus mais preferidos;
E àqueles que ficaram na ruína
Do pensamento, e são – por graça de conquista
Os pálidos mortais desiludidos,
A esses já não correm muito afoitas
Na mentira das grandes fantasias!
– É por isso que eu hoje ainda vivo
À margem das ridículas tragédias
Que lemos nos jornais todos os dias.

Atulham-se os presídios; no degredo,
Atados à saudade, vão ficando,
– Como lesmas ao luar, esses que matam,
E pelo amor tombaram na desgraça:
– Um sonho, um beijo, uma mulher que passa!
Só a guitarra os lembra ao triste fado
Nos ecos diluídos e chorosos
E fundos do lusíada, coitado!
Eu olho para tudo que enxameia
Nesta viela escura da existência
Como quem se debruça num abismo
E fica revolvendo a consciência
Na tristeza infinita de um olhar!…
– A humanidade é vil e o seu egoísmo
Tem base na vileza de vexar.

Sim;
Por qualquer coisa os homens tudo vendem:
Palavra, dignidade, a própria vida,
Só porque desconhecem a doutrina
Bendita de Jesus; – esse tesoiro,
Essa fonte de luz onde aprendi
A ser leal e amigo e a respeitar
Aquela que nos risos do meu lar
Desembaraça os fios de uma queixa
No mistério que cinge o verbo amar.

Mas quando um ano acaba e outro vem,
Embora a minha fronte e os meus cabelos
Envelheçam na marcha para o fim
E um sabor de renúncia e de cansaço
Vibre, cantando, aqui, dentro de mim,
Rebenta-me no peito uma esperança
Tão lúcida, tão viva, e tão ungida
Na fé que ponho erguendo a minha prece –
Que peço a Deus do fundo da minha alma
Que a todos os que sofrem neste mundo
Dê o conforto de uma vida calma.

António Botto

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Palavras além

Posted by Julian Elli em 2007/03/12

Palavras precisam ter face para manifestar expressão.

Palavras DOCES, fermentam e viram álcool, anestesiando quem as ouve.

Mas as PALAVRAS AMARGAS, estas sim são a verdade, e, difíceis de engolir e de esquecer!

As palavras doces e as amargas estão sendo extintas. Trocadas pelas palavras sem propósito, sem vida e impunes… As palavras do ESQUECIMENTO.

ESQUECIMENTO DO VALOR da vida, do amor, da fraternidade, da verdade, do bem, da inocência, do futuro, da natureza, da alma… Este esquecimento alimenta o ÓDIO e nos conduz ao fim inevitável!

 

Palavras

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deus anti-Eu (x) Eu anti-deus

Posted by Julian Elli em 2007/03/11

Por que “a face sem nome” tem mais direitos do que eu?

Por que pode ser, estar e permanecer?

O que foi que eu fiz para ser tão supliciado?

Por que não terei chance para ser feliz?

 

Eu te odeio com toda minha força!

Odiei-te no passado, odeio-te no presente e odiar-te-ei no futuro, seja em vida ou em morte.

Toda a tua criação (ladrões, assassinos, estupradores, usurpadores, molestadores, corruptores, etc.) está amaldiçoada, assim como amaldiçôo a ti!

 

Aquele que está perdido e nas trevas, é o que mais precisa de amparo. Nunca viestes em meu socorro!

 

Eu nunca desejei ser senhor da matéria – pilhador de riquezas -, ter poder, ter fama e o domínio sobre os homens. Minha simplicidade pedia apenas uma família… Um lar digno para que houvesse um “nós”!

 

Por conseqüência, vejo as pessoas como objetos. Canso-me fácil e necessito sempre de outras. Eles não me oferecem nada de melhor, apenas distração!

  

Os teus dizem que temos uma destinação. Mas por que eles têm a contemplação de se realizarem…?

Por que escolhestes minha decadência?

Por que se divertes assim comigo?

 

É sabido que eu sou o permanente reflexo das tuas ações danosas!

Vejo, portanto, em ti que a superioridade que bestializa, degenera, malefica e mitifica um Deus!

 

Se houvesse uma chance, eu te usurparia…

Realidade

O mundo é de quem chega primeiro e tivem a gana para dominá-lo!

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Universo Privado

Posted by Julian Elli em 2007/03/09

Cegarei os olhos para não te ver passar.
Queimarei esta pele, e matarei meu tato.
Beberei ácido para poder não sentir teu gosto.

Nada mais me importa!
Tudo deixou de ser distinto:
as formas, as cores, os sons… tudo misturou-se na tela morta, como uma estrela em colapso.
As estações passam em breves segundos, e nada mais permanece, nem o nome fica na memória.
O tempo está decrépito e a matéria gasta demais para produzir vida!

Minha casa -meu lar- tornou-se um pecado.
Minha cova, já não é mais minha, e abriga estranhos.

Foi-se de vez a força que me trouxe aqui.
Meus pés estão em carne viva, e meu coração mofou com o sangue amargo.

Neste território bizarro e confortável,
ergui uma fortaleza de espinhos que espande-se como uma metástase…

Descanso neste trono de ossos encandescentes que me marcam, nutrindo-me das calamidades humanas. Um olor mefítico abraça meu corpo e perfuma o salão.

Consagrado rei mundado… coroado com ramos de urtiga… Fendo este crânio à marteladas entalhando teu nome em meus ossos! Vermes e insetos me apreciam ainda fresco, mas diga-me senhor, qual pedaço de mim devo guardar para vós?

SUPREMO SENHOR DOMINADOR DOS INFEROS

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M!

Posted by Julian Elli em 2007/03/07

Veni, veni, venias

1. 1.
Veni, veni, venias, Vem, vem, que venhas,
ne me mori facias, não me faças morrer,
hyrca, hyrce, nazaza, hyrca, hyrce, nazaza,
trillirivos… trillirivos…
2. 2.
Pulchra tibi facies, Teu rosto lindo,
oculorum acies, o brilho dos teus olhos,
capillorum series, as mechas dos teus cabelos,
o quam clara species! oh, que visão gloriosa!
3. 3.
Rosa rubicundior, Mais vermelha que a rosa,
lilio candidior, mais branca que o lírio,
omnibus formosior, mais bela que todos,
semper in te glorior! sempre em ti exaltarei!

Amore Perduto

*Carmina Burana de Carll Orff*

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Era Sanguinária de Peixes

Posted by Julian Elli em 2007/03/07

Ruîas

 

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Noturno Inconseqüente

Posted by Julian Elli em 2007/03/07

Auto retrato

Mãos… vãs e insanas!

Mãos que dominam a vontade e o corpo.

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Paradiso Perduto

Posted by Julian Elli em 2007/03/05

Se a natureza me privou da beleza…
Se a vida me privou de um lar…
Se Deus – qualquer um que não creio!- privou-me do Amor,

É porque tenho que ser uma criatura grotesca, solitária e vertendo em ódio!

Eu choro, num lamento profundo, por meus inocentes filhos sacrificados: abortados e destruidos, pois assim como seu pai – Eu que os amo além de tudo!-, foram impedidos de vingar.

:::::::::

Não me toques, pois não sabes o que carrego comigo!
Trago toda a dor dos injustiçados. Sou o portador das suas decadências, pois sinto latente, as calúnias que sofreram, o tapa em suas faces, os escarros, a traição, o abandono, a solidão e seus cruéis assassinatos ou suicídios!

 

Cemitério da Alma

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Amor Mutilado

Posted by Julian Elli em 2007/03/04

Brindemos com fogo à nossa feliz desgraça.
Abasteçamo-nos com as chagas, os tumores e o sangue dos infantes!

Toque-me com toda a delicadeza de um estupro.
Deturpe meus versos…
Penetre-me por todos os orifícios e, se preciso for, querido Amor, abra novos caminhos a facada!
Castre-me! Degole-me! Estripe-me!
Perfure o coração com vossa lança fálica!

Produza neste corpo doente e decadente vossa prole,
como larvas alimentando-se do cadáver podre!

Corpo de Santo

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The True!

Posted by Julian Elli em 2007/03/04

.:.Eu sou tudo, e ainda assim, sou um completo nada!.:.
.:.Sou uma grande verdade, e a maior de todas as mentiras!.:.
.:.Sou demasiado sério, mas escondo a mim, uma sarcástica piada!.:.
.:.Sou, por fim, um ser supremo, que de tão humano, tornei-me uma aberração!.:.

 

A face do Caos

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Você pode ver o que há dentro?

Posted by Julian Elli em 2007/03/02

Eu também não vejo! Há apenas um espaço vazio, preenchido pela matéria negra – invisível.

Corpo Nu

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